Servir-se ou Servir?
No próximo dia 5 de Novembro, cumpre-se o quadragésimo quinto aniversário da morte de Giorgio la Pira. Um político assaz singular; porquanto morreu na pobreza e na austeridade, não obstante ter exercido funções governativas e legislativas.
Contudo o que pretendo relevar é o facto de ter sido autarca entre 1951-1958 e 1961-1965, como Presidente da Câmara Municipal de Florença, pela Democracia Cristã e numa região vincadamente comunista como a Toscânia, La Pira era uma exceção. O seu sucesso deveu-se certamente à sua profunda consciência social e a sua opção de apoiar as classes desfavorecidas através da construção de habitação social, de expropriação de habitações devolutas para nelas alojar pessoas carenciadas. Além do mais impulsionou a modernização da administração municipal, reconstruiu, pontes, monumentos, etc. Deu um cunho reformista a Florença procurando que na cidade todos fossem acolhidos. Não obstante a sua preferência fosse pelos trabalhadores em plena coerência com a sua visão do mundo- um mundo pacífico, justo e fraterno, onde as desigualdades cessariam pela justa repartição dos recursos. Homem profundamente crente, na sua vida pessoal assumiu-se radicalmente pobre à semelhança do seu Mestre Jesus Cristo e, por conseguinte, colocou-se ao serviço dos seus concidadãos. Nesta época de tanta turbulência e de guerra, foi sempre La Pira um homem de paz, e é curioso que Florença se tenha geminado com Kiev no seu mandato.
Este breve bosquejo sobre Giorgio la Pira, é apenas o mote para reflectir quão importante é o serviço à comunidade. Sem o desiderato de se ver reconhecido, como alguns autarcas que pretendem servir-se dos cargos por modestos que possam ser para satisfazer o seu ego ou eventualmente promover a sua carreira profissional, o seu negócio, etc. Creio que todos somos cientes que o PSD no Concelho de Palmela, não tem nada a oferecer como contrapartida para alguém assumir uma candidatura autárquica. Aliás de Giorgio La Pira, poderemos extrair uma lição de vida, servir, servir, aqueles que nos confiam o voto, procurando auscultá-las, levar as suas preocupações a quem de direito, mesmo que pessoalmente consideremos esses assuntos desinteressantes, enfadonhos e que perpetuam o cinzentismo das nossas intervenções ao invés de uma moção ou de uma recomendação redigida com brilhantismo, mas que é alheia/divorciada da realidade.
À guisa de conclusão, posso dizer, porque é minha convicção, que a nova Comissão Política do PSD de Palmela, eleita no passado dia 1 de Outubro da qual me orgulho de pertencer, e à imagem do que sempre foi o PSD, tem como único desiderato servir a população do nosso concelho e dignificar a sigla do partido, sem outro objectivo que não PALMELA, e as suas quatro freguesias.
João Matos Fortuna
Vogal da CPS do PSD de Palmela
25 Novembro de 2022.
Ler aqui a crónica, versão paginada no Jornal Concelho de Palmela.
Fotografia DR © Vaticano News


