Combatentes do Ultramar não vão ter um Memorial em Palmela
Na última Assembleia Municipal, realizada a 27 de junho, a Coligação Palmela Mais, por iniciativa o PSD, propôs ao Executivo camarário homenagear de forma pública e dignificante o esforço de guerra dos militares do Concelho que participaram na Guerra do Ultramar, que decorreu entre 1961 e 1975, com a construção de um Memorial num espaço público com visibilidade.
A proposta foi chumbada pela CDU e com as abstenções do PS, do Bloco e do MIM. Em suma, a iniciativa para a construção de um Memorial num local visível para fazer justiça e reconhecer o esforço dos combatentes do Concelho caiu por terra, tendo apenas sido votada favoravelmente pelo PSD e CDS.
Fica portanto registado para memória futura que os antigos combatentes da Guerra do Ultramar não têm um monumento com as características de um Memorial, isto é, algo que chama a atenção e é para sempre memorável, no Concelho porque a CDU, o PS, o Bloco e o MIM não o deixaram.
A propósito do feito, um membro eleito da CDU na Assembleia Municipal colocou a apreensiva questão: “um memorial seria para homenagear que combatentes?” À qual acrescentou uma inquietação: “mas lutaram combatentes de ambos os lados!” E ficamos esclarecidos quanto ao sentido de voto do Partido Comunista Português…
Aliás, esta posição do PCP não constitui novidade, sobretudo para quem leu o delicioso livro autobiográfico de Zita Seabra, “Foi Assim” (da Alêtheia Editores), onde a antiga revolucionária relata que, sobre a Guerra do Ultramar, a ordem expressa da direção do Partido para obediência absoluta pelos militantes era de que em circunstância alguma deviam participar na Guerra passando à clandestinidade. Ordem depois alterada, passando os militantes comunistas a ingressar nas forças armadas para minarem a moral dos militares e angariar adeptos para a causa da “ditadura do proletariado”.
A propósito, recomendo vivamente a leitura desta fantástica aula de história que é o livro de Zita Seabra, sobretudo nas revelações que a autora faz sobre o conturbado período do PREC, o Verão Quente e os acontecimentos do 25 de Novembro de 1975. A obra, é também, a história trágica do Comunismo português e internacional, agora extinto na generalidade dos países civilizados.
É nosso entendimento que, volvidos cerca de 44 anos do término do conflito, nas suas várias frentes de batalha, importa agora e antes que seja demasiado tarde, ou seja, enquanto ainda temos um número significativo de antigos combatentes com vida e saúde, ultrapassar preconceitos ideológicos e unir esforços focados naquilo que é verdadeiramente importante: homenagear os militares do Concelho que combateram na Guerra do Ultramar, respondendo a um esforço extraordinário que naqueles longos anos Portugal lhes pediu.
Que fique claro, embora não tenhamos ilusões que alguns não compreenderão ora por preconceito ideológico ora por disciplina partidária, que este Memorial não pretende ser uma homenagem à Guerra do Ultramar nem às motivações políticas e ideológicas daquela, mas repor justiça aos militares de Palmela que participaram no conflito, na sua esmagadora maioria sem qualquer ligação de simpatia com o regime salazarista e marcelista. Palmela deve-lhes isto. Contudo, compreendemos que muitos dos que conseguiram escapar à participação na Guerra, sobretudo indo viver ilegalmente para outros países ou ficando por cá na clandestinidade revolucionária, se possam sentir incomodados com esta homenagem.
Não obstante, é justo que não desistamos de homenagear que não desistiu de combater. Não vamos esquecer este tema. Os nossos militares merecem um memorial e tudo faremos para ultrapassar esta enorme injustiça que lhes fizeram os eleitos comunistas, socialistas, bloquistas e dum movimento de independentes.
Parabéns à Nova Democracia pela vitória na Grécia
Foi com um misto de alegria e alívio que vi os eleitores gregos se libertarem da governação da extrema-esquerda do Syriza coligada com a extrema-direita neonazi do Aurora Dourada. Fim! Acabou!
Aproveito a oportunidade para anunciar que a Coligação Palmela Mais levará à próxima reunião de Assembleia Municipal ordinária, que terá lugar em setembro, um voto de saudação à eleição de Kyriakos Mitsotakis como novo Primeiro-ministro da Grécia, depois de uma estrondosa vitória eleitoral do Partido Nova Democracia nas eleições legislativas de 7 de julho.
Os eleitores gregos deram um claro sinal à Europa que chegou a hora de enterrar o populismo. A demagogia de Aléxis Tsípras nada trouxe de bom à Grécia e ao povo grego. Da governação do Syriza fica a maior taxa de desemprego de toda a Europa e um dos piores crescimentos económicos da zona euro, criminalidade em alta e segurança, salários e pensões em baixa. Em suma, uma governação miserável em claro contraste com os useiros e vezeiros “amanhãs que cantam” que nunca deixaram de ser a imagem de marca da extrema-esquerda.
Em claro contraste, Kyriakos Mitsotakis prometeu ser o presidente da transparência e da meritocracia, focado no crescimento económico, na criação de postos de trabalho e no aumento da segurança. Não podia ter começado melhor!
Sugestão de Leitura
“O Estado a que Isto Chegou” (Alêtheia) de Alberto Gonçalves. Uma acutilante radiografia da governação dos últimos 10 anos, isto é, de 2009 a 2019 pelo inconfundível e corrosivo estilo de Alberto Gonçalves.
Deixo aqui esta pérola: O “bota-abaixismo”, na belíssima expressão do primeiro-ministro [eng. José Sócrates], é uma espécie de “risco sistémico” aplicado à moral pública: basta alguém sugerir que não vamos longe para o desânimo se propagar e não irmos, de facto, a lado nenhum.
Se, pelo contrário, insistirmos que somos ótimos, convencemo-nos de que o somos e, não tarda, realizaremos proezas magníficas. Note-se que as condições arcaicas do sucesso, como o risco ou o trabalho, não entram na equação. Essencial, neste manual de auto-ajuda coletiva, é o pensamento positivo ou, se quisermos o termo em voga, a “confiança”.»
De leitura obrigatória!
Por Colin Marques, Radio Vila.
