Saudação Reprovada — “A propósito do 25 de Novembro 1975”

Na última Assembleia de Freguesia Ordinária do Pinhal Novo, o PPD/PSD apresentou uma Saudação intitulada: “A propósito do 25 de Novembro 1975”.
Foi reprovada com os votos contra da CDU, BE, PS e MCCP e os votos a favor do PPD/PSD e do membro independente Alberto Alves. Leia em baixo a Saudação apresentada:

No nosso país a população está, uma grande parte dela, contra os políticos e a acção política dos mesmos, veja-se as taxas de abstenção. Há até quem esteja agora contra a vigência do nosso regime democrático representativo, outros sempre estiveram e estão, embora de forma dissimulada. No fundo, o mau funcionamento da Democracia, enquanto sistema complexo, que é dividida em três poderes, o Executivo, o Judicial e o Legislativo, banalizou-se de tal forma que caiu em descrédito junto da população. Como é possível? Não teremos todos nós, partidos políticos e seus decisores, a nossa quota parte de culpa? Pensamos que sim; na nossa jovem Democracia, não há partidos políticos e políticos imaculados.

É neste ponto que esta invenção extraordinária da Antiga Grécia — A Democracia — deve ser tratada com pinças porque como a história contemporânea portuguesa comprova, de uma pseudodemocracia ou de uma democracia de retrocesso à ditadura (encoberta pela capa da democracia) vai um pequeno passo.

Vejamos…

No Portugal ainda a preto e branco, de 1975, vivíamos em PREC (Processo Revolucionário em Curso). O movimento revolucionário impulsionado por partidos e organizações de esquerda e extrema-esquerda, tornaram a instabilidade social uma constante que, devidamente contextualizada pelo 25 de Abril de 1974, foi até compreensível.

A influência da esquerda militar radical e os partidários do designado “Poder Popular”, aprovavam e colaboravam na ocupação de várias bases militares, bem como no controlo da comunicação social. A tomada do poder pela via armada era uma das hipóteses em cima da mesa e um banho de sangue entre portugueses era possibilidade forte e angustiante num país que se livrara da opressão e da guerra colonial à escassos meses.

Neste sentido, o 25 de Novembro de 1975 constitui-se como uma importante fase na instauração da democracia. Foi este contragolpe que deu resposta, e resolução, de arma erguida e com o diálogo no papel da munição, ao famoso Verão Quente de 75. Era finalmente possível alguma estabilidade política e militar, e arrancar definitivamente para o reforço do pluripartidarismo bem como realizar a Assembleia Constituinte que conseguiu redigir e aprovar a Constituição da República de 1976.

Continuam, portanto, a ser pertinentes as palavras de Francisco Sá Carneiro, proferidas a 6 de Dezembro de 1978, e cito:

“Daqui em diante se verá definitivamente quem são os homens do 25 de Novembro e quais os que aceitam o regresso ao período anterior. As responsabilidades estão assumidas.”

Face ao exposto, o Partido Social Democrata propõe que a Assembleia de Freguesia de Pinhal Novo, reunida a 21 de Dezembro de 2022, delibere:

  • Saudar esta efeméride que contribuiu decisivamente para normalização da democracia em Portugal.

Pinhal Novo, 21 de Dezembro de 2022

O membro de Assembleia de Freguesia do PPD/PSD

Hélder Alves

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https://linktr.ee/acimadetudopinhalnovo

Fotografia © Arquivo DN

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(Este texto é escrito ao abrigo do antigo acordo ortográfico)