O Futuro da Fertagus Pós-2024

Tudo começou na década de 90 com a celebração do contrato e o início da circulação dos comboios. O serviço ferroviário, especialmente a concessão da Fertagus, que liga a Península de Setúbal a Lisboa é, como bem sabemos,  estrutural para a própria Península e para Lisboa.

O atual contrato termina no próximo mês de setembro de 2024(1) e é importante que a questão da renovação da concessão da Fertagus seja amplamente discutida. Este é um tema de grande relevância para a região porque o Governo pode pedir para resgatar o serviço para a CP ou pode renegociar a oferta dos serviços aumentando a mobilidade na região. O aumento dos serviços disponíveis não serão obviamente imediatos dado que não existem propriamente comboios na prateleira para compra e entrada imediata em operação, mas é preciso projetar com tempo e com visão as próximas décadas.

 

Neste artigo de opinião irei explorar as implicações da renovação da concessão ferroviária da Fertagus na vida das pessoas da região, porque só nestes últimos 20 anos a população residente na Península aumentou em mais de 100 mil habitantes, para um total de mais 800 mil pessoas. 

 

A Fertagus desempenha assim um papel crucial na vida quotidiana da região e a renovação da concessão deve refletir com mais comboios e mais condições para todos os passageiros, traduzido num impacto positivo e contributo para o desenvolvimento sustentável da Península de Setúbal, sendo um transporte pesado, deve funcionar como base para toda a rede de transportes que em si também tem necessariamente de aumentar.

 

Portanto, a renovação da concessão deve ser vista como uma oportunidade para aprimorar a infraestrutura ferroviária e oferecer benefícios tangíveis à comunidade da Península de Setúbal, que estão em atraso mas também antecipar o futuro em termos de população e  comportamentos/ necessidades em matéria de mobilidade e desenvolvimento urbano.

 

A melhoria do serviço ferroviário deve passar necessariamente por mais oferta e de maior qualidade, ou seja, mais e melhores comboios uma vez que a redução substancial dos lugares sentados prejudicou a qualidade das condições de transporte. Mas vamos tipificar quais as ações que devem ser consideradas.

 

Em primeiro lugar, a renovação da concessão deve-se concentrar em melhorar a qualidade e aumentar o serviço prestado pela Fertagus, traduzindo-se assim no aumento da frequência, bem como no aumento do número de carruagens nas horas de ponta (em particular nas estações de Penalva, Pinhal Novo, Venda do Alcaide, Palmela e Setúbal,  onde atualmente circulam apenas  2 comboios na hora de ponta.

Em segundo lugar, que as estações  Expo/Oriente e as Praias do Sado/Instituto Politécnico de Setúbal sejam integradas na rede ferroviária.

Por fim a reposição dos lugares sentados e a requalificação das estações em matéria de  segurança e parques de estacionamento.

 

A Península de Setúbal não pode esperar mais por um pacote de transformação/investimento em matéria de mobilidade, desde as estradas nacionais por construir ou a falta de manutenção das existentes, a expansão do Metro Sul do Tejo, a Ponte Barreiro-Seixal e Barreiro Montijo já muito prometidas(2), o aumento da oferta fluvial sobre o Rio Tejo, e a 3ª travessia sobre o Tejo.

 

É imperativo para as pessoas e para o ambiente que em matéria de mobilidade, exista uma garantia de qualidade em matéria de oferta, de qualidade e de custo face ao carro. 

 

Por fim, pelo bem comum, espero que o Governo e as Autarquias não olhem para o assunto em cima da hora. Se queremos ter melhor qualidade de vida, não podemos olhar de lado para a mobilidade, a mesma é de cariz estrutural no acesso à educação, saúde e emprego, cabendo às pessoas que estão nos Partidos Políticos tomarem decisões  acima de qualquer agenda míope e estéril.

Pedro Belo Pires – As opiniões expressas neste artigo são pessoais e vinculam apenas e somente o seu autor.

Publicado no Jornal Setubalense a 9 de nov. de 2023

 

 

Uma Visão de hoje e amanhã

Palmela, está prestes a celebrar um marco importante: o 97º aniversário da restauração do concelho,  47 anos vividos em democracia. Este território é uma verdadeira jóia que merece ser admirada em toda a sua grandeza.

 

O concelho de Palmela é uma pérola que merece ser polida e apreciada em toda a sua magnitude. Esta região é rica em história e cultura, sendo obrigatório por quem cá passa a visita ao Castelo, que por si próprio é uma referência em toda a Península de Setúbal, como também desempenha um papel fundamental no desenvolvimento económico de Portugal com o seu Parque Industrial da Autoeuropa. Palmela é um lugar onde a tradição do vinho, do queijo, da Fogaça, da Maçã Riscadinha e da Sopa Caramela, concorrem para um  ambiente único ao dispor dos seus habitantes e visitantes.

 

Mas olhar para o futuro é assim fundamental para garantir que este concelho evolua de forma sustentável e corresponda às exigências e desafios do século em que estamos. Não podemos continuar a adiar soluções e respostas necessárias. Neste contexto, é crucial repensar o que deve ser um concelho nesta nova era e quais devem ser as suas prioridades.

 

Sustentabilidade

O urbanismo tem de ter um cariz verde e sustentável, por via da preservação dos recursos naturais, a promoção de energias renováveis nos edifícios públicos e a recolha eficiente dos resíduos/lixos para que as gerações futuras possam continuar a admirar a beleza natural e histórica  que caracteriza o concelho. O desenvolvimento de corredores e manchas verdes são passos essenciais na construção de um mundo mais sustentável.

 

Economia Local

Palmela deve incentivar a diversificação da economia local,  com turismo sustentável e economia digital. Ao fazer isso, não apenas cria empregos, mas também preserva o ambiente e contribui para a transição digital e energética. As autoridades locais precisam fazer uma aposta estratégica na criação de um parque empresarial baseado nas novas tecnologias.

 

Inovação e Educação

Inovação, tem de ser o mote para tudo o que é feito nos dias de hoje.  Todo o investimento na formação das gerações futuras, é um investimento direto no futuro do concelho. As escolas devem ter sempre os meios necessários para proporcionar uma educação de qualidade, preparando os nossos jovens para os desafios do século. Quando me refiro aos meios necessários, a título de exemplo, não é tolerável que hoje em dia haja calor ou frio nas salas ou infiltrações de água nas escolas, como as notícias recentes nos confirmam.

 

É essencial também a criação de um Programa de Desenvolvimento de Creches em Palmela, como âncora de políticas de promoção e apoio às famílias e crianças do concelho.

 

 Mobilidade e Infraestruturas/Urbanismo

Não posso deixar de mencionar a importância da mobilidade e das infraestruturas que são um pilar estrutural na vida de todos. A rede de transportes públicos tem de evoluir, dado que são condições que impactam o acesso dos cidadãos a oportunidades de emprego, educação e lazer. O próprio pensamento de ser difícil viajar para uma estação de comboios ou para outra freguesia não pode continuar a existir. A construção de novas estradas e ciclovias deve também estar na  agenda para melhorar a qualidade de vida dos habitantes.

 

Os tempos que atravessamos exigem, de uma vez por todas, que as  decisões políticas e a cidadania estejam alinhadas com uma visão atualizada para garantir um futuro próspero e harmonioso para todos os habitantes. A título de exemplo, o nosso Plano Diretor Municipal – PDM é de 1997, é por excelência o documento estratégico do concelho, é a base para tudo, mas claramente está ultrapassado.

 

Ao adotar uma abordagem transformadora e inovadora o concelho de Palmela será um modelo inspirador para outras regiões. Não nos deixemos enganar, pois transformar e reformar leva o seu tempo para que mais tarde possamos usufruir dos resultados.

 

Acredito que Palmela tem um potencial extraordinário que merece ser realizado, mas será necessário um compromisso firme e visão clara, para alcançar grandes conquistas.

 

Este concelho tem de ambicionar ter um futuro melhor do que o passado.

Pedro Belo Pires

Publicado no Jornal Diário do Distrito a 28 de outubro de 2023

 

 

Estradas Em Alerta

A segurança nas estradas é um tema de extrema relevância no âmbito das políticas públicas nas autarquias, a conservação adequada das estradas e a criação de infraestruturas seguras para peões e ciclistas são fundamentais para garantir a mobilidade de forma segura e, consequentemente, contribuir para a segurança pública. Neste contexto, é imperativo que as autarquias assumam a responsabilidade de implementar medidas eficazes que promovam a segurança viária e protejam a vida dos cidadãos.

 

Em Palmela, creio que as medidas de solução são vastas e urgentes, atualmente  não existe um plano municipal de segurança rodoviária. Recordo que Palmela, é o maior concelho da Área Metropolitana de Lisboa e atualmente tem várias carências, como a falta de pintura das passadeiras por todo o concelho, uma área claramente em défice, como tem sido referenciado pelos autarcas eleitos do PSD Palmela ao longo dos últimos anos.

Recordo a Resolução do Conselho de Ministros 85/2017– que confere competências próprias em matéria de construção e gestão de instalações, equipamentos, serviços, redes de circulação, de transportes, e recursos físicos integrados no património do município ou colocados, por lei, sob administração municipal.

 

É também inegável que as estradas mal conservadas representam um sério risco para a segurança de todos, bem como o acelerar do desgaste das viaturas. Sejam buracos, falta de sinalização adequada, ausência de docas para autocarros, passageiros e falta de iluminação são problemas que podem levar a acidentes graves. Além disso, a inadequação das infra estruturas para peões e ciclistas amplia a vulnerabilidade daqueles que utilizam meios de transporte mais sustentáveis e saudáveis, como é o caso da falta de passeios e ciclovias ao longo das principais vias ou alternativas que todos os moradores e visitantes de Palmela utilizam diariamente. 

 

A segurança nas estradas não diz respeito apenas à redução de acidentes, mas também ao bem-estar e à qualidade de vida da população. Estradas seguras, devem ser uma marca em qualquer Concelho, pelo contributo que geram no desenvolvimento da economia local, do turismo,  o acesso a serviços essenciais, como saúde e educação e promovem a inclusão. Portanto, é fundamental que as políticas públicas atuem de forma abrangente, contemplando a segurança viária como um dos pilares para o desenvolvimento sustentável.

 

A carência de um plano estratégico na melhoria das infraestruturas das estradas, tem consequências na prevenção de acidentes e sensibilização da população sobre a importância da segurança no trânsito, cada vez mais são precisos  investimentos em tecnologia e inovação, cruciais para a fiscalização, mas que promovam na sua essência a  educação no trânsito.

Em termos de segurança rodoviária, é essencial instalar a sinalização adequada e redutores de velocidade em áreas críticas, como, por exemplo, na Av. dos Ferroviários, no Pinhal Novo, Avenida Joaquim Lino dos Reis e na Rua da Aljubarrota em Aires (por exemplo). Assim como as estradas nos meios rurais onde o excesso de velocidade já provocou acidentes graves no passado, como é o caso da Estrada das Lagameças/Estrada Municipal 533. Por fim o reforço em todas as zonas que incluem equipamentos públicos como escolas, terminais de transportes públicos,  equipamentos de saúde, espaços desportivos e do movimento associativo.

A solução em 2023 e para o futuro deverá passar pela colocação de almofadas redutoras de velocidade, diferente das lombas tradicionais, porque garantem a normal circulação de  veículos pesados/autocarros, dado que são mais estreitas do que o eixo dos veículos.

Almofadas redutoras de velocidade -https://www.smartpath.pt/as-accoes-de-acalmia-de-trafego-na-reducao-da-sinistralidade/

 

Em conclusão, a segurança nas estradas deve ser uma preocupação constante em matéria de políticas públicas, as autarquias devem ser movidas pela inovação na busca das melhores soluções, sejam tecnológicas, coordenação com as plataformas digitais (Maps e Waze) ou meios físicos nas estradas, que procurem obter o melhor resultado. Como também a conservação adequada das estradas e a criação de infraestruturas seguras para peões e ciclistas são fundamentais para garantir a mobilidade de forma segura e aumentar a sua utilização de forma natural e orgânica,  um assunto que está no topo da agenda do PSD Palmela, como se encontra explanado na sua mais recente ação política.

 

Pessoalmente, no fim de semana passado, tive a oportunidade de participar de uma pequena tertúlia e ouvir a seguinte afirmação: “Palmela é uma terra cheia de potencial para ser muito melhor”.

Deixo-vos para reflexão a seguinte pergunta:  quanto tempo mais teremos que esperar para usar todo este potencial que todos vemos em Palmela? O que queremos para o futuro do Concelho? Todos nós estamos cientes dos problemas que existiam, e ainda existem hoje e continuarão a existir, mas podemos pensar e acreditar que é possível resolvê-los. 

 

Pedro Belo Pires – Vogal da Comissão Política da Secção do PSD de Palmela

As opiniões expressas neste artigo são pessoais e vinculam apenas e somente o seu autor.

Publicado no Jornal Diário do Distrito a 7 de outubro de 2023

Abstenção, a Rainha da noite das eleições

Estamos prestes a entrar num ciclo de eleições 1 que em condições normais levará que de 2024 a 2026, 2024 a 2026, a cada ano em Portugal, somos chamados às urnas. Todos jáouvimos que, entre o apuramento dos votos, a abstenção atingiu mais uma vez valores significativos. Em 2022, nas últimase leições legislativas, cerca de 48,6% dos eleitores não foramv otar e, recordando de forma sumária a abstenção registadas nas últimas mas 4 eleições: 2009-40,3%; 2011-41,9; 2015-44,1%;2 019-51,4; 2022-48,6% (Fontes: SGMAI PORDATA)2.

Estamos a falar de um evento consolidado na nossa sociedade. A abstenção é um dos grandes inimigos da democracia, mas que em menos de 24 horas, o seu tempo de antena expira e todo o mediatismo que foi criado e publicado é guardado na gaveta até ao próximo ciclo eleitoral.

A abstenção é um problema que não desaparece por si mesma. É resiliente e requer uma análise profunda, especialmente com a atual falta de políticas públicas para combater e diminuir a abstenção. A mesma não pode ser resolvida por via de uma notade rodapé em discursos em noite de eleições, como o passado já nos mostrou.

A falta de políticas públicas nacionais para combater a abstenção é uma falha grave e séria para com a democracia em Portugal e neste momento deveria estar em curso um conjunto alargado de reformas.

Em primeiro lugar, a ausência de projetos de educação, resulta 1ue os cidadãos, se tornem eleitores desinformados e desinteressados nos processos eleitorais. É vital promovermos uma maior educação cívica, política e incentivar a participação ativa, nomeadamente nas escolas. Os estudantes devem ser ensinados sobre a importância da democracia, dos direitoscívicos e do voto como um meio de expressar a sua vontade e influenciar as decisões políticas. O papel dos orçamentos participativos ao nível escolar são fundamentais nesta fase de formação.

Quando falamos de jovens temos ao nosso lado a Constituição no seu artigo 70º «os jovens gozam de proteção especial para efetivação dos seus direitos económicos, sociais e culturais», ou seja, há propriedade para as políticas públicas desenvolvidas neste âmbito.

Ao nível autárquico, e aqui em particular no meu Concelho de Palmela, todos os eventos como reuniões de reflexão/discussão com os cidadãos devem ser publicitados em espaço público de forma visível (com o recurso de outdoors e mupis) e com  antecedência, alargando estas medidas aos períodos de discussão pública, em que devem ser usados meios de publicitação para além dos obrigatórios por lei (Diário da República e site). Ao nível das Reuniões de Câmara o horário deveria ser rotativo (manhãs, tardes e noites) ao longo do ano, promovendo uma maior participação dos munícipes.

Por fim, a crise de confiança nas instituições políticas é outro fator crucial para o aumento da abstenção. A falta de transparência, a corrupção e a distância entre os políticos e apopulação acabam por diminuir a vontade de participar nas eleições. Os cidadãos deveriam sentir que o seu voto conta e as necessidades são atendidas. Não esqueçamos que a elevada abstenção tem como vitória, a entrega da voz e do poder de influência nas mãos de outros.
Para travarmos o bom combate sobre a abstenção é exigido um verdadeiro esforço em sociedade, a fim de promovermos uma maior participação cívica e restabelecer a confiança e o interesse dos cidadãos na política.

Os partidos políticos devem ter junto da sua comunidade uma relação de proximidade. Aqui realço o papel do PSD Palmela que desde o último ciclo autárquico nunca parou e continua a fazer reuniões e visitas de acompanhamento com organismos na área social, da segurança, do ensino e junto de empresas, assim como com cidadãos particulares por todo o concelho de Palmela.
A disponibilidade para escutar as preocupações e necessidades da população com uma postura transparente e responsável deverá ser parte integrante do ADN dos partidos.
Caberá a cada um de nós compreender o valor e a importância do voto como um instrumento para moldar o futuro que desejamos.

Pedro Belo Pires – Vogal da Comissão Política da Secção do PSD de Palmela

As opiniões expressas neste artigo são pessoais e vinculam apenas e somente o seu autor.

1https://www.cne.pt/content/calendario

2https://www.pordata.pt/tema/portugal/participacao+eleitoral-44

 

Publicado no Jornal Diário do Distrito

 

A Segurança no Concelho de Palmela

A Segurança no Concelho de Palmela

O Relatório Anual de Segurança Interna de 2022, publicado este ano, revelou um aumento de cerca de 3,1% na taxa de criminalidade1 (2021 para 2022) no Concelho de Palmela, alcançando o valor de 32,8% no que diz respeito à taxa de criminalidade, composta por exemplo pelos crimes contra a integridade física, furtos/roubo, crimes contra o património entre outros elementos. Esta escalada na criminalidade não apenas gera insegurança entre os moradores, mas também exerce por si um impacto negativo sobre a economia local, como também mostra que são necessárias políticas públicas para diminuir a criminalidade.

A criminalidade não é sentida apenas na estatística, que muitas vezes passa despercebida ou mesmo sem consulta, é também pelo efeito mediático das notícias, da experiência da
própria população e das conversas entre vizinhos. O aumento da taxa de criminalidade e as preocupações/perceção com a segurança pública em Palmela têm vindo a aumentar junto
da população, passando a ser uma conversa habitual a ocorrência de algum evento nas freguesias.

A ausência de medidas de segurança adequadas em Palmela representa uma questão de peso, é necessária uma análise mais profunda e uma resposta efetiva por parte do Estado. É imperativo que a segurança pública seja colocada como prioridade tanto pelo Governo quanto pela Autarquia no nosso território de Palmela, o que implica a implementação e concretização de respostas.

Atualmente, no Concelho de Palmela, deparamo-nos com diversas lacunas que são evidentes no nosso quotidiano ao longo da região. A falta de presença de guardas em patrulhas e a escassez de veículos para deslocações são apenas alguns exemplos das deficiências existentes, estando assim o Estado a negligenciar as necessidades de Palmela. Além disso, as reuniões realizadas pela Comissão Política e Autarcas do PSD Palmela com a GNR, permitiram reunir no Posto Territorial da GNR no Pinhal Novo a 19 de Janeiro com o Comandante do Posto Territorial e uma segunda no Posto Territorial da GNR do Poceirão a 28 de abril, com o Comandante do Destacamento Territorial de Palmela. Estas visitas permitiram ver as condições precárias das instalações físicas, impactando diretamente nas condições de trabalho para os guardas que ali trabalham diariamente.

 

Em relação a esta última questão, vemos que os problemas do passado persistem, adiados ano após ano.Tanto o novo Posto Territorial do Poceirão quanto o reforço de recursos humanos são desafios contínuos que comprometem a capacidade de resposta e as ações preventivas no território. Essa situação cria uma sensação generalizada de vulnerabilidade 1 A taxa de criminalidade é a medida que quantifica a quantidade de crimes cometidos numa determinada região em relação a uma população.A taxa de criminalidade é uma importante ferramenta para avaliar e comparar os índices criminais entre diferentes locais ou períodos de tempo. Permitindo ter uma noção do nível de criminalidade num determinado território e analisar as variações e diferenças no tempo e espaço. entre os cidadãos, que não percepcionam uma presença efetiva da GNR na garantia da sua segurança, independentemente de estarem em áreas urbanas ou rurais, ou seja, em todo o nosso Concelho.

A GNR desempenha um papel vital na manutenção da ordem pública e na proteção dos cidadãos, mas também social e de proximidade. No entanto, em Palmela, testemunhamos a
inadequação dos recursos por parte do Ministério da Administração Interna para fortalecer a presença e a ação da GNR. Quanto mais tempo Palmela terá de esperar por melhorias?

No que diz respeito à Autarquia, é alarmante a falta de uma abordagem proativa em relação à segurança. As políticas públicas de segurança devem transcender o mero pedido deaumento de efetivos e recursos. Elas devem englobar estratégias de prevenção de crimes, incluindo a instalação de videovigilância em áreas críticas como parques de estacionamento e outros locais de risco já identificados, bem como estudar o fenómeno da criminalidade. Assim, neste âmbito, é necessário desenvolver um Plano Estratégico Municipal de Segurança para os Cidadãos de Palmela. Esse plano deve ser um diagnóstico completo do Concelho, visando a redução e prevenção da criminalidade em toda a região. As políticas públicas têm o dever de mobilizar diversos setores da sociedade, promovendo a mudança de atitudes e práticas, de forma integrada e colaborativa, como também analisar a problemática tendo em conta diversos vetores como social, económico, urbanístico e demográfico.

Não se pode negligenciar ou ignorar as políticas públicas de segurança. É o momento de reconhecer que a segurança é um direito fundamental dos cidadãos e que é responsabilidade do Estado garantir a proteção.

E, ao falarmos dos guardas da GNR que servem no nosso concelho, é importante prestar-lhes a devida homenagem. Apesar das difíceis condições em que trabalham, já todos
fomos testemunhas, do notável empenho e da motivação dos militares que trabalham incansavelmente em Palmela. A eles, expresso o meu profundo agradecimento e desejo de
sucesso contínuo na sua missão.

Pedro Belo Pires
Vogal da Comissão Política da Secção do PSD de Palmela
As opiniões expressas neste artigo são pessoais e vinculam apenas e somente o seu autor.

 

Publicado no Jornal Diário do Distrito

Acessível é: Acessível.

Neste dia, saudo, antes de mais, os 24 anos de existência do Jornal do Pinhal Novo (JPN). Tive o prazer de participar no “início dos inícios”, deste importante orgão de comunicação social da nossa terra e mais tarde trabalhar no JPN como “paginador publicitário” . Parabéns!

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No contexto da sociedade global a Acessibilidade tem ganho, e bem, um papel de grande centralidade no plano individual, social e comunitário, contribuindo para superar diferenças e remover barreiras físicas e digitais.

Não tenho espaço, neste pequeno artigo de opinião, para enunciar a profusão de legislação no que concerne à Acessibilidade Física: desde as barreiras urbanísticas na via pública e locais de domínio público e privado, às barreiras arquitetónicas. Diria apenas que do ponto de vista legislativo a questão das acessibilidades físicas remonta à década de 80 do século passado. Prova à exaustão que uma coisa é a teoria em letra da lei, outra coisa é a prática. A tarefa para que possamos “desenvolver um conjunto de políticas que visam a construção de uma sociedade mais inclusiva, na qual todos os cidadãos e cidadãs exerçam os seus direitos e usufruam das suas liberdades fundamentais em condições de igualdade de oportunidades” (Decreto-Lei n.º 125/2017), adivinha-se “monstruosa” num país com muitas assimetrias e onde prevalece a desigualdade. É necessário partir do local para o global, mapear necessidades e construir um modelo de desenvolvimento para a inclusão, económico e social, sustentável e capaz de garantir o bem-estar da população.

Aqui sim, é necessário um “compromisso” de médio/longo prazo com a “confiança” de “continuidade” e participação de todas as forças políticas ao serviço da população. No nosso caso, contem connosco! desde logo, porque a acessibilidade física e digital foi assumida nosso programa eleitoral como uma prioridade primária.

Aqui sim, é necessário um “compromisso” de médio/longo prazo com a “confiança” de “continuidade” e participação de todas as forças políticas ao serviço da população.

No que à Acessibilidade Digital diz respeito, Portugal foi um dos primeiros países à escala mundial a reconhecer a importância da acessibilidade WEB. Passadas mais de duas décadas, os resultados … não correspondem às expectativas, no vasto espectro de websites do sector público, privado, institucional e/ou do terceiro sector. Actuam, deste modo, como factores de exclusão, e contra o disposto no Artigo nº 9 (Acessibilidade), da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada pela Resolução da Assembleia da República n.º 56/2009.

A aprovação da Diretiva (UE) 2016/2102 relativa à “acessibilidade dos sítios web e das aplicações móveis de organismos do setor público” e transposta para a legislação portuguesa no Decreto-lei 83/2018, obriga os Estados-Membros, a cada três anos, a publicar um relatório com os resultados das actividades de fiscalização. Portugal e o governo de António Costa falhou a entrega. Também aqui o Poder Local, mais perto das suas comunidades, pode e deve dar o exemplo.

Finalizo com a definição do Arq. Pedro Gouveia: “A Acessibilidade pode ser definida como a capacidade do meio de proporcionar a todos uma igual oportunidade de uso, de uma forma directa, imediata, permanente e o mais autónoma possível.”  Ora, Acessível: é Acessível, logo não é Inacessível. A equação é simples. É apenas necessário pensar em todos/as e com todos/as.

Hélder Alves

Vogal eleito pelo PSD para a Assembleia de Freguesia de Pinhal Novo

www.acimadetudopinhalnovo.pt

Jornal do Pinhal Novo, 15/02/2022
fotografia Unsplash © Marianne Bos

(Este texto é escrito ao abrigo do antigo acordo ortográfico)